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A caminho da "Estação Saudade"

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Os pioneiros, João Rueles Pereira e Nelson Garcia: lembranças do trem


Houve um tempo em que os trens iam e vinham a todo instante, cortando o município de Mandaguari e transportando pessoas para várias regiões do Brasil.
Nessa época, a ferroviária que leva o nome da cidade, e que foi inaugurada no dia 1º de fevereiro de 1954, teve seus dias áureos e de grande contribuição para o desenvolvimento do município.
Entretanto, este tempo se foi e com ele veio o esquecimento e a depredação. Mesmo assim, o prédio que quase caiu no ostracismo, ainda traz na memória dos pioneiros da cidade lembranças de outrora.
"Lembro que eu pegava o trem para São paulo e que tremia bastante. Era uma viagem longa, de dois dias", recorda João Rueles Pereira, de 86 anos.
Nelson Garcia chegou à cidade de Mandaguari em 1945. Para ele, a fumaça e o calor da locomotiva estão guardados na memória. Por isso, sempre que atravessa a antiga ferroviária as boas lembranças vêm à tona.
"Aquele trem era a coisa mais linda que existia. Eu viajava sempre para São Paulo para ver uma namoradinha. Tinha tudo dentro do trem, cafezinho e até almoço. Uma coisa engraçada era que eu usava um terno preto que esquentava muito por causa do fogo da máquina que era tocada à lenha e mesmo assim não tirava ele nunca. Eu tinha que ficar bonito, não é? ", pergunta entre risos, o pioneiro.
Para aproveitar o amplo espaço que foi deixado com a desativação da ferroviária, a construção passou a abrigar, há oito anos, as atividades da associação de crochê e renda.
De acordo com uma das coordenadoras da iniciativa, Elenita da Silva Franco, todos saíram ganhando com a investida.
"O primeiro beneficiado foi o prédio em si, que estava sendo destruído e se tornando um abrigo de indigentes. Em segundo lugar, as pessoas de bem que por aqui passam agora têm mais segurança. E por último, é bom para gente, que pode trabalhar e conquistar o nosso dinheiro".
Ao todo, 50 pessoas fazem parte da associação e outras 25 participam como aprendizes. A estudante Aline Gomes dos Santos, 15, participa há dois anos do projeto e gosta de ver o prédio bem cuidado. "Eu fico muito satisfeita de trabalhar aqui, ganhar um pouco de dinheiro e ajudar a preservar o local".
A Estação Ferroviária de Mandaguari é um exemplo de como a comunidade pode ajudar a preservar os patrimônios históricos e, ainda assim, conseguir alcançar benefícios para si própria. Em prol da preservação da memória, todos saem ganhando.


Materia Extraida do Site : http://www.odiario.com Por Walter Fernandes

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