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O sacrifício de um casamento

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Moradores de Paranavaí tinham de se casar em Mandaguari


Geraldo Bruno e Guilhermina Baptista viviam na zona rural de Paranavaí e decidiram se casar em 1951, após dois anos de namoro. O maior obstáculo na época era que não havia cartório de registro civil, sendo necessário ir até Mandaguari para se casar.


Apesar da distância de cem quilômetros, o casal aceitou o desafio para formalizar a relação. Saíram de mãos dadas numa madrugada de outono, antes do galo cantar, com a intenção de chegar a Mandaguari no mesmo dia. “Fomos a pé e não deu tempo de achar o cartório aberto, então dormimos numa pensão, em quartos separados, e nos casamos no dia seguinte pela manhã”, contou a pioneira Guilhermina Baptista, acrescentando que hoje quando conta aos netos o que aconteceu pensam que é invencionice.

Geraldo e Guilhermina levaram as roupas e os sapatos do casamento dentro de uma bolsa de estopa, pois sabiam que chegariam sujos em Mandaguari. “O caminho foi bem tortuoso, mas a vontade de casar era tanta que parecia que não existia mais nada, além de nós dois na estrada”, comentou Guilhermina em tom de nostalgia, esboçando um largo sorriso.

Geraldo Bruno, com um olhar disperso no tempo, lembrou que viajaram de galocha porque tinha chovido dias antes e o lamaçal pelo caminho podia deixá-los descalços se percorressem todo o trajeto com calçados comuns. “Atenção era tudo porque dependendo de onde a gente pisava a lama afundava”, frisou Bruno.

A viagem foi longa e os dois admitiram que não conseguiram chegar limpos a Mandaguari, mas pelo menos viajaram com roupas escuras para evitar que a sujeira ficasse mais evidente. “Quando passava algum caminhão ou jipe por perto, a gente tinha que cortar pela mata. Mas pelo menos a paisagem era bonita demais, tinha muitos bichos pela floresta, fora o verde que forrava o chão pra gente pisar em cima, o que deu mais segurança.”, disse Guilhermina.

Cerimônia religiosa foi realizada na Capela São Sebastião

O casamento no cartório de Mandaguari foi testemunhado por desconhecidos, pois naquele tempo a viagem não compensava para quem iria apenas assinar o testemunho da oficialização. Além disso, poucos tinham automóvel, por isso alguns casais tinham de ir a Mandaguari a pé para se casar.

Entretanto, em Paranavaí, os familiares do casal já estavam preparando a cerimônia na igreja e também a festa de casamento. “Deixamos tudo acertado, mesmo assim a viagem demorou mais do que a gente imaginou. Levamos dois dias pra ir a Mandaguari casar e depois voltar pra Paranavaí. Na volta, a gente ficou mais feliz porque tinha dado tudo certo”, afirmou Geraldo Bruno. A viagem foi muito cansativa, mas, entre sorrisos e olhares, o casal declarou que seriam capazes de fazer tudo de novo se ainda fossem jovens.

Guilhermina confidenciou que antes do matrimônio o relacionamento se limitou a abraços não muito íntimos e carícias na mão. “Era tudo muito diferente de hoje, havia uma relação muito forte de respeito e cumplicidade, mas era bem mais gostoso porque muitas moças só se envolviam quando sabiam quais eram as intenções do rapaz. A gente também tinha certas curiosidades, mas valia a espera”, enfatizou Guilhermina Baptista.

De acordo com Geraldo Bruno, quando não eram casados só saíam de casa com a autorização dos pais de Guilhermina. “Só dava pra namorar nos finais de semana e ainda assim tinha um limite, por volta das 21h, no máximo, eu tinha que levá-la pra casa. Se passasse um minuto além da conta, era punido, ficava uma semana sem ver a Guilhermina”, explicou. Geraldo e Guilhermina Bruno tem mais de 80 anos e estão juntos há mais de 60.

Curiosidade

Em 1951, Paranavaí ainda era Distrito de Mandaguari. Só recebeu o título de município em dezembro de 1952.

Fonte: David Arioch – Jornalismo Cultural
http://davidarioch.wordpress.com
Visite  o blog  do  David  e conheça  um pouco mais  sobre as  historia de  Paranavai.


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